Nesta quinta-feira (31/8), cerca de 500 estudantes da Escola Municipal Júlia Amaral Di Lenna (Barreirinha) tomaram uma “vacina” para combater uma forma de abuso nos relacionamentos sociais que afeta crianças e adultos: o bullying. Na fórmula da substância contida nos frascos distribuídos entre as crianças havia doses simbólicas de informação, empatia e compromisso com o respeito pelas pessoas, como explicou a professora de Educação Física Fabíola Paiva

A “imunização” fez parte das atividades desenvolvidas no segundo trimestre letivo, a partir da leitura de dois livros que abordam o assunto: A Borboleta de Duas Cabeças, de Vânia Slaviero e Roberto Sabatella Adam, e Sala de Aula e o Futebol, de Celso Antunes. A temática do primeiro foi trabalhada nas aulas de Ensino Religioso e a do segundo, nas de Educação Física. Dessa leitura resultaram duas dramatizações – uma sobre cada obra – encenadas após a vacinação, na cancha da escola.

Toda programação foi acompanhada pela escritora Vânia Slaviero, conhecida pelo nome por todas as crianças. Ela também participou de um bate-papo com os estudantes das duas turmas de 4º ano do período da tarde. “Cancelei uma viagem para estar aqui, pois me sinto homenageada, com o meu trabalho reconhecido”, disse a escritora, que foi ao evento acompanhada por Adam, ilustrador da publicação.

Agressão difusa

O bullying consiste em agressões físicas ou constrangimentos verbais sistemáticos contra as mesmas pessoas ou grupos e que os afetam emocional ou fisicamente.

De acordo com o mais recente estudo do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um em cada dez estudantes já sofreu alguma forma de bullying. Foram entrevistadas 540 mil estudantes de 15 anos residentes em 72 países. No Brasil, 43º no ranking dos 53 países onde o problema foi identificado, cerca de 17% dos ouvidos afirmam já terem passado pelo problema.

Por isso, o assunto é tratado também em outras escolas municipais. É o caso da Herley Mehl (Pilarzinho), que há duas semanas recebeu um representante da organização não-governamental Safernet para falar sobre o alcance do problema no mundo virtual.

Processo continuado

Na Escola Júlia Di Lenna, o tratamento do tema no evento desta quinta-feira (31/8) foi apenas uma nova etapa no processo de aprendizagem sobre ele.

Nas semanas anteriores, as crianças assistiram a vídeos sobre o assunto e aplicaram uma pesquisa interna para avaliar a ocorrência dessas agressões em algum momento da vida dos professores e dos funcionários. Voltaram para a sala de aula surpresas em especial com uma informação entre as tantas coletadas: adultos também podem ser alvo de bullying e, como as crianças, sofrem.

O objetivo dessas oportunidades de reflexão criadas no ambiente escolar, explica a gestora pedagógica e professora de Ensino Religioso Rosângela Molinari, é antecipar-se ao surgimento tanto de agredidos quanto de agressores.

“Bullying tem em toda escola, em todo ambiente. Porém, muitos são alvo de uma brincadeira isolada e confundem com isso, enquanto os agressores em geral não se dão conta de que estão machucando alguém, mesmo com palavras. A ideia é trabalhar os dois possíveis agentes do problema e prevenir que ele de fato ocorra ou se repita”, argumenta a professora.

Fonte: Prefeitura de Curitiba